Um concept tão open que não cabe na foto.
Um concept tão open que não cabe na foto.

 

O mercado de distopias voltadas para o público infantojuvenil anda tão saturado que preferi investir num nicho pouco explorado e bem mais sugestionável.
Segue a fabulosa premissa.

 

O ano é 2084. Enquanto intelectuais desenvolviam técnicas sofisticadas para driblar a vigilância digital e proteger seus grupos de whatsapp dos olhos do Governo, a real ameaça se propagava de forma sorrateira. A destruição de barreiras virtuais e metafóricas foi apenas o início do fim; ninguém poderia prever a queda dos verdadeiros muros.

A demanda alucinada por espaços abertos começou de forma tímida. O fenômeno é estudado por teóricos da contemporaneidade através de documentários de valor inestimável, como House Hunters, House Hunters International e Irmãos à obra. Neles, famílias sorridentes exigem uma planta open concept em seus novos lares. Algumas derramam lágrimas sinceras frente ao intrincado mecanismo outrora chamado de “maçaneta” e frente aos blocos de concreto que parecem intransponíveis. Para poder entreter com sucesso seus quatro convidados anuais, elas precisam circular livremente pela cozinha sem se ausentar da festa que rola na sala de estar. Separar esses ambientes é coisa de selvagens. Portas são obstáculos desnecessários, paredes quebram o fluxo de energia positiva, feng shui e tals. Um pé-direito alto é a garantia de que seus convidados não irão ser consumidos pela claustrofobia.

A inocente ideia foi plantada e encontrou solo fértil nas mentes de designers. Mas por que se ater a essas áreas? Por que segregar os quartos, banheiros e garagens desses incríveis cômodos amplos? Por que limitar-se a um teto que flutua a dez metros do chão quando podemos ter apenas as fronteiras do céu? Mais do que proibidas, as portas e paredes tornaram-se cafonas. Antes que pudessem conter o monstro que haviam criado, designers foram dominados por hordas de proprietários que brandiam marretas e gritavam palavras de ordem contra seus tijolos. Sofás, geladeiras e privadas se espalham pelo asfalto, enquanto casais de meia-idade trocam risadas maníacas e contemplam os gloriosos planos abertos – futuras capas da “Casa e Jardim”. Quando o erro é percebido, apenas uma intrépida corretora pode salvar o que restou da sociedade. E ela tem poderes.

 

The Sims em 2084.
The Sims em 2084.

 

 

Aceito propostas de editoras e contratos cinematográficos. Jennifer Lawrence, você é minha protagonista. Me liga, miga.

Um futuro distópico baseado em House Hunters
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